A TESTOSTERONA
Sinônimo de virilidade, a testosterona
uma daquelas substâncias presentes em quase todo o organismo. Seu
papel mais conhecido é o de garantir as características
masculinas (pêlos no rosto, voz grossa, potência e maturação
dos órgãos sexuais), mas ela também tem vital importância
no desempenho de cérebro, pele, cabelos, músculos, ossos,
rins e fígado.
Não é à toa que, embora seja o hormônio predominante
nos homens, esteja presente também nas mulheres: um homem de 30
anos tem até 700 nanogramas por mililitro de sangue (ng/ml), enquanto
uma mulher, na mesma faixa etária, terá, no máximo,
40.
Parece pouco? Não é: esse mínimo é o que garante,
por exemplo, o apetite sexual feminino. Tanto que, ao chegar à
menopausa, a testosterona pode ser um dos itens principais da terapia
de reposição hormonal.
O que é ANDROPAUSA
A partir dos 40 anos, é normal que a maioria dos homens perca entre
1% e 2% de testosterona ao ano, mas há casos em que a redução
pode chegar a 50% entre 50 e 55 anos, dependendo de fatores hereditários
e das condições de vida.
Quando a queda atinge homens a partir dessa
faixa etária, alguns médicos chamam o distúrbio de
andropausa, o correspondente masculino da menopausa,
mas com efeitos mais suaves e lentos. Por isso mesmo, o termo ainda é
objeto de controvérsia. Uma designação que vem sendo
mais aceita pela comunidade médica mundial é Padam
(Partial Androgen Deficiency in Aging Male ou deficiência
hormonal parcial no homem idoso) no Brasil designado como DAEM
(Distúrbio Adrogênico do Envelhecimento Masculino).
Os principais sintomas são: diminuição
do interesse sexual (libido) e da qualidade das ereções,
diminuição da massa muscular, aumento da massa de gordura
visceral e alterações no perfil lipídico no sangue,
diminuição da massa óssea e osteoporose, e diminuição
da sensação de bem-estar, caracterizada como diminuição
da atividade intelectual, dificuldade de orientação espacial,
fadiga e depressão, pode também provocar irritação,
sensação de fragilidade e depressão. Ou seja: aquele
certo mau humor de alguns homens pode ser a versão masculina da
TPM.
Na faixa dos 40, a causa da queda hormonal
acentuada é causada por fatores como sedentarismo, estresse, ganho
de peso e alimentação com excesso de gordura, além
de fatores hereditários, que podem baixar significativamente os
níveis de testosterona. O problema também pode estar relacionado
ao uso excessivo de cigarro, drogas, álcool e ao estado emocional.
Um dos principais efeitos da diminuição
dos níveis de testosterona é a disfunção sexual.
No entanto, várias pesquisas demonstram que, na maioria dos homens
com problemas sexuais, a causa não é hormonal.
Apesar das alterações hormonais se tornarem mais freqüentes
com o passar dos anos, existe também o aumento de outros problemas
que podem causar a disfunção erétil (impotência)
como, por exemplo, doenças vasculares, diabetes, problemas cardíacos
e neurológicos, etc. Apenas 3 a 4% dos casos de disfunção
sexual em homens de todas as idades são causados exclusivamente
devido a problemas hormonais.
REPOSIÇÃO HORMONAL
A reposição hormonal pode
ser uma alternativa caso os exames de dosagens hormonais comprovem queda
acentuada em pacientes na andropausa. Estudos internacionais
demonstram que homens com esse distúrbio tratados com doses de
testosterona tiveram aumento de massa muscular, menor descalcificação
óssea e maior apetite sexual, além de melhora no humor e
na sensação de bem-estar.
Porém, segundo informações
da Sociedade Brasileira de Urologia, a terapia de reposição
hormonal só é recomendável em homens com indicações
exatas. Estas indicações são: presença de
um ou mais sintomas atribuíveis ao baixo nível hormonal,
dosagens de testosterona mostrando níveis baixos e alterações
compatíveis de outros hormônios responsáveis pela
regulação dos testículos. Há riscos e, sem
acompanhamento médico minucioso, eles são gravíssimos.
O mais temido é o câncer de
próstata. Não que a testosterona provoque a doença,
mas ela se nutre e prolifera com o suporte hormonal, havendo o risco de
um tumor latente não diagnosticado se manifestar com o uso do medicamento.
A reposição não é aconselhada para homens
com histórico familiar de câncer de próstata e nunca
deve ser feita de forma indiscriminada, independentemente da idade do
paciente. Ele deve passar por uma avaliação clínica
detalhada e especializada. Os sintomas da andropausa
não podem ser apenas atribuídos à deficiência
de testosterona, mas também a uma série de fatores não
hormonais.
Existem também
efeitos colaterais por uso inadequado dos hormônios, como aumento
dos mamilos, hepatite medicamentosa pelo uso excessivo, acúmulo
de água e sal no organismo, apnéia do sono, aumento da taxa
de glóbulos vermelhos no sangue e elevação da fração
ruim do colesterol.
RESULTADOS
Deter o tempo pode ser impossível,
mas envelhecer com qualidade de vida não é. Além
de exercícios físicos e de uma dieta rica em frutas e verduras,
o tratamento de reposição hormonal bem orientado pode promover
a melhora da função sexual, aumento da massa muscular e
melhora da sensação de bem estar e da disposição
em geral.
Cerca de 80% dos pacientes de 40 a 60 anos
conseguem recuperar a taxa normal de testosterona num prazo médio
de 90 dias de tratamento, mas existem alguns que podem precisar da reposição
pelo resto da vida.
Converse com o seu Urologista a respeito
da andropausa, seus sintomas e a melhor forma de tratamento
a ser utilizada no seu caso. |